24 junho 2015

Comandante-geral do CBMES destaca cultura do planejamento

O Corpo de Bombeiros do Espírito Santo (CBMES) se reuniu no Cerimonial Aspomires em junho para construir o 3º Planejamento Estratégico da instituição com ações para o período de 2015 a 2022. Quem fala sobre como a corporação tem orientado a gestão a partir de ações organizadas e planejadas é o comandante da instituição, coronel Carlos Marcelo D’Isep Costa.

 

– Como a corporação iniciou este processo de trabalho baseado no planejamento?

Comandante do CBMES – Estamos elaborando o 3º Planejamento Estratégico. O primeiro foi realizado junto com o Ministério da Justiça, com a Secretaria Nacional de Segurança Pública, reunindo todos os bombeiros do país. A partir deste primeiro, organizamos uma comissão interna formada por nossos oficiais para a elaboração do 2º Planejamento Estratégico que foi executado no período de 2011 a 2014.

Agora estamos elaborando um novo ciclo. A nossa proposta é ter um horizonte temporal de oito anos. Estamos enxergando que é necessário alargar este horizonte de quatro anos para deixar as ações encaminhadas e planejadas independentemente de quem esteja no comando. Aumentamos este horizonte de quatro para oito para facilitar a continuidade das ações alinhadas com os planejamentos do Governo do Estado e da Secretaria de Segurança Pública.

 

– Quais foram os principais resultados dos primeiros planejamentos?

Comandante do CBMES – O primeiro plano foi importante porque trouxe esta cultura do planejamento. Não tínhamos esta cultura. Do segundo planejamento – e as ações estão em curso ainda – podemos destacar a expansão da corporação, com a construção de unidades projetadas, planejadas e distribuídas ao longo do tempo, seguindo as condições orçamentárias e financeiras. Ainda continuamos com obras de construção de novas unidades padrão no estado. Vamos inaugurar a unidade de Guaçuí e estamos construindo a unidade de Venda Nova do Imigrante, dentro deste planejamento anterior. O objetivo é construir quarteis para descentralizar o atendimento.

 

– Esta visão de planejamento desencadeia melhorias para o cidadão?

Comandante do CBMES – Com o plano de expansão, por exemplo, conseguimos diminuir o tempo-resposta. Ou seja, com mais quarteis e com unidades dispostas em áreas ou municípios considerados estratégicos, conseguimos diminuir este tempo-resposta. Quando terminar esta parte da expansão, vamos diminuir de uma hora e vinte para trinta minutos o tempo-resposta, em média, para uma ocorrência no estado inteiro.

Na região metropolitana, por estarmos mais próximos, o atendimento é mais rápido. Hoje, na Região Serrana, por exemplo, temos a unidade de Marechal Floriano, construída há alguns anos, e a unidade de Venda Nova do Imigrante, expandida agora. Mas antes, para atender uma ocorrência em Marechal Floriano ou em Afonso Claudio, por exemplo, tínhamos que sair de Vitória. O tempo para chegar a Afonso Cláudio era longo. Agora temos um quartel em Marechal voltado para diminuir este tempo. E uma unidade em Venda Nova do Imigrante diminuirá ainda mais este tempo. Na média, o estudo mostrou uma redução para trinta minutos.

 

– Além desta aproximação para agilizar o atendimento, que outra conquista o planejamento trouxe para o cidadão?

Comandante do CBMES – Outra melhoria diz respeito à proteção e defesa civil. A reestruturação do Sistema Estadual de Defesa Civil, da própria coordenadoria estadual, a implantação das regionais de Defesa Civil, ou seja, a Defesa Civil mais próxima dos municípios, evidentemente, mais próxima do cidadão. Com a reestruturação, implantamos um projeto para equipar as Defesas Civis Municipais, o que chamamos de Kit de Defesa Civil. Hoje temos todos os municípios do Espírito Santo equipados com este aparato formado por uma caminhonete, um barco motor, mobília, possibilitando uma estrutura mínima de funcionamento.

Ao ter sua Defesa Civil ativada, o município – que o lugar onde ocorre o acidente – tem condições de dar uma resposta mais rápida ao cidadão. O que acontecia no passado? A Defesa Civil do município tinha que vir a Vitória para buscar ajuda da coordenadoria estadual. Hoje, o órgão municipal se dirige ao quartel mais próximo da sua região onde funciona o regional da Defesa Civil responsável por tratar dos assuntos daquela localidade.

Atualmente, dispomos de oito regionais distribuídas pelas sedes dos batalhões e companhias independentes. A corporação é integrada por cinco batalhões e três companhias independentes. Então, cada comandante destas unidades é também um regional de Defesa Civil. Isso vem ao longo do tempo sendo desenhado, construído para que o Corpo de Bombeiros ofereça estas ações concretas para a sociedade.

 

– A partir desta visão de planejamento, baseada no pensar na gestão e no estabelecimento de metas, diretrizes, ações, o que vem a ser o 3º planejamento?

Comandante do CBMES – Neste terceiro planejamento, estamos dando continuidade às ações com enfoque mais atual dentro do contexto econômico vivido pelo país. O planejamento tem que permitir esta adaptação a estes cenários. Estamos em um momento de crise, de dificuldade, nem tudo o que desejamos é possível realizar neste momento. É necessário corrigir algumas ações e nos preparar para desencadear estas ações assim que a crise passar. É nesta linha que temos nos conduzido.

Basicamente, estamos procurando manter e sedimentar uma melhoria da eficiência do serviço prestado ao cidadão. Outra linha forte é a valorização e a capacitação do público interno, considerando também o pessoal da inatividade. Algumas ações serão voltadas para os bombeiros da reserva no sentido de resgatar e trazer este militar que se aposentou para a atividade. Mas, queremos também ajudar os bombeiros da reserva que estão em dificuldade financeira e de saúde.

Uma terceira prioridade é o fortalecimento da proteção de Defesa Civil, ou seja, continuar nesta busca de cada vez mais aperfeiçoar o Sistema de Proteção de Defesa Civil, ou seja, garantir que, no momento de desastre, ou até antes de um desastre, a população esteja bem assistida e sofra o mínimo possível. Nós não vamos conseguir evitar o desastre. As chuvas intensas vão acontecer em algum momento. Mas temos que estar preparado para ter o mínimo impacto possível ao cidadão.

 

– Quais são as ações para aumentar a proteção e diminuir o impacto diante de desastres naturais?

Comandante do BMES – Já existem algumas ações em curso como a elaboração do Sistema de Mapeamento das Áreas de Risco do Estado. Vamos fechar agora no meio do ano o mapeamento das áreas de risco de todos os municípios do Espírito Santo que vem sendo construído ao longo dos anos. São estas áreas de risco de escorregamento de massa ou risco geológico. O Iema já fez um Mapa de Vulnerabilidade de Inundações. Aliado a este mapeamento de risco, estamos desenvolvendo um Sistema de Monitoramento e Alarme que tem por finalidade possibilitar que o morador de uma área de risco receba o alerta – uma espécie de sirene – avisando-o do risco de escorregamento no local e da necessidade de sair de sua casa e se dirigir a um abrigo até a chuva ou o perigo passar. Estamos montando um sistema piloto e treinando a comunidade no município de Santa Leopoldina. Assim que o projeto estiver concluído neste município, vamos expandir para outros locais.

Uma outra ação continuada é o desenvolvimento de um Centro de Treinamento e Capacitação de Bombeiro e Defesa Civil direcionado ao aperfeiçoamento profissional dos bombeiros. Hoje não existe um centro de treinamento específico para o aperfeiçoamento em todas as áreas tais como incêndio, salvamento aquático, mergulho, salvamento em altura, estrutura colapsada, resgate com cães, entre outras. Atualmente, para fazer estes treinamentos, é necessário buscar outros locais dotados de equipamentos. A ideia é colocar toda esta estrutura de formação em um único local para que possamos concentrar e agregar a capacitação do nosso militar.

 

– Como está estruturado este terceiro planejamento?

Comandante do CBMES – A primeira etapa consistiu na construção do diagnóstico e na consolidação da visão, missão e dos valores. Na segunda etapa discutimos os objetivos estratégicos. E em seguida tratamos das metas específicas. Ao fecharmos esta etapa, consolidaremos o plano e divulgaremos para todos. É um trabalho continuado de troca de ideias, de discussão, envolvendo os oficiais superiores e os capitães.