22 outubro 2014

Guaxinim atacada por cão é devolvida à natureza

 

Vinte e quatro dias após ter sido atacada por um cão doméstico e ficado acuada em um beco entre duas residências no bairro Pedregal, em Jerônimo Monteiro, no Espírito Santo, um guaxinim fêmea batizada de “Yaya” foi devolvida à natureza na tarde do último dia 20/10, no Parque Estadual Cachoeira da Fumaça, em Alegre.

O animal foi encontrado por um morador que acionou a Polícia Militar Ambiental, sendo levado imediatamente até o Hospital Veterinário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Alegre. A espécie foi atendida por três médicos veterinários, mestrandos do programa de pós-graduação em Ciências Veterinárias da Ufes e por mais dois alunos da graduação do curso de Medicina Veterinária que já estavam reunidos em procedimento cirúrgico.

Durante o atendimento ficou constatado que o animal sofreu laceração da cauda, provavelmente por cão doméstico, lesões causadas por mordida, processo inflamatório nos membros pélvicos e cabeça, possivelmente em decorrência de brigas entre animais da mesma espécie e miíase (bicheira).

Para surpresa de todos, no decorrer dos procedimentos de avaliação e limpeza das feridas, coleta de sangue, radiografia e ultrassonografia, ficou constatado que Yaya apresentava  um quadro de gestação com dois filhotes.

Tratamento – Segundo a médica veterinária Bianca Cardozo Afonso, a paciente recebeu medicações com anti-inflamatório e antibiótico para evitar infecção ascendente e a piora do quadro clínico, sendo ainda submetida a uma caudectomia parcial (remoção de uma vértebra da cauda). “Sete dias após a cirurgia, realizamos uma nova avaliação clínica, removendo os pontos e repetindo a ultrassonografia, onde concluímos que a mãe e os fetos estavam bem. O tempo de gestação desta espécie é de dois meses e cremos que ela já esteja com aproximadamente 50 dias”, explicou a profissional.

Ao longo do período em que esteve internada, Yaya recebeu frutas variadas, como banana, mamão, manga e laranja, e fonte proteica (peixe, pintinho e ovo de galinha), sempre com variação do cardápio.

“Nos primeiros dias, ela só ficava quietinha e apresentava um pouco de claudicação (diminuição expressiva de oxigenação do sangue para os membros inferiores, causando a dor aguda na região), devido às feridas nos membros. À medida que as lesões foram se cicatrizando, ela ficou mais ativa, conseguindo até escalar os galhos que colocamos no recinto”, concluiu Bianca Cardozo.

Na tarde desta segunda-feira (20/10), uma equipe da Polícia Ambiental esteve no Hospital e, após o animal passar por uma última avaliação e ser alimentado, foi levado cuidadosamente para o Parque Estadual Cachoeira da Fumaça ganhando de volta a liberdade e onde poderá dar à luz seus filhotes na natureza.

Segundo o responsável pela Comunicação Social do BPMA, capitão Roberto Martins, todo o procedimento foi registrado com filmagens e fotografias além de um boletim de ocorrência. “O local da soltura foi cuidadosamente escolhido e discutido com a equipe de veterinários, sendo a soltura realizada de uma forma tranquila com a presença de apenas quatro pessoas para não estressar o animal”, finalizou o militar.

Fonte e fotos: Assessoria de Comunicação do Batalhão de Polícia Militar Ambiental

 

Acompanhe o momento da soltura: