9 maio 2015

PMES comemora 32 anos de inserção da mulher na corporação

 

Edelci Lima do Nascimento Souza era uma jovem telefonista da administração pública municipal da capital quando, no ano de 1983, a Polícia Militar do Espírito Santo abriu o caminho para a entrada da mulher na corporação. Naquele momento, aos 20 anos de idade, a garota decidiu encarar o desafio. Trinta e dois anos mais tarde, ela e outras pioneiras festejaram a conquista durante solenidade realizada na quarta-feira (06/05), no Centro de Formação e Aperfeiçoamento da Polícia Militar (CFA), em Cariacica. O evento integrou a programação em comemoração aos 180 anos de PMES.

A cerimônia resgatou o dia 06 de maio de 1983, data em que o governador do Espírito Santo, Gerson Camata, assinou o Decreto nº 2569, criando a Companhia de Polícia Feminina. No mesmo ano, três meses depois, deu-se início ao 1º Curso de Formação de Sargentos Femininos. A 1ª turma do Curso de Formação de Soldados Femininos do Quadro de Combatentes se formou em 1º de agosto de 1986. No ano seguinte, em 19 de maio de 1987, foram incorporadas as primeiras integrantes femininas oficiais combatentes da Polícia Militar do Espírito Santo.

Para fortalecer o marco histórico, a corporação inaugurou esta semana o memorial contendo os nomes das pioneiras, como são reconhecidas as 67 militares integrantes da 1ª Turma de Sargentos PM Feminino. A placa foi afixada no auditório do CFA, anexo às salas de aula localizadas na área do novo estacionamento.

Conquistas – Com a presença de autoridades militares e civis, a solenidade teve a emoção do reencontro e das lembranças vividas pela primeira turma de mulheres policiais. O cerimonial do evento destacou como “a policial feminina contribuiu para o desenvolvimento da instituição ao trazer características inovadoras, sem deixar de corresponder às expectativas relativas às áreas propriamente policiais, a exemplo da destreza nas atividades físicas e de policiamento ostensivo”.

A força e a sensibilidade feminina foram enaltecidas como valores inseridos pelas mulheres no cotidiano da polícia capixaba. Segundo o texto comemorativo, a entrada da mulher no quartel representa muito mais que uma adequação de regulamentos, mas “uma transformação de visões, pensamentos e formas de agir diante de questões variadas e complexas”. Ainda ganharam destaque os desafios encarados pelas mulheres policiais no dia a dia para seguirem a missão, como a jornada dupla de trabalho, “o que as tornam ainda mais exigentes nas diligências administrativas e operacionais”.

Avanço  – Última pioneira na ativa, aos 52 anos de idade, a capitão Edelci atua no Centro Administrativo da Ajudância Geral, no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do ES. Ao longo da vida profissional, assumiu funções administrativas e operacionais. Atuou nas atividades ostensivas de rua, no atendimento de 190, chegou a comandar a Guarda da Casa de Custódia (Cascuvi) e ainda trabalhou na diretoria de ensino, no setor de pessoal, dentre outros setores.

Dona de um jeito extrovertido e comunicativo, a capitão resgata um pouco dos primeiros momentos da carreira. “Quando cheguei ao curso de sargento, não sabia marchar, não sabia o que era direita e esquerda e nem sabia atirar. Percebi que a missão era árdua porque precisava ser bem cumprida. O primeiro mês de estudos foi o mais difícil porque há uma mudança do mundo civil para o mundo militar marcado pela disciplina e a hierarquia”, conta.

Na sua avaliação, a abertura do quartel para a atuação feminina contribuiu para o desenvolvimento da instituição. Segundo ela, a mulher é questionadora, então, esta característica incentivou os homens também a buscarem seus direitos dentro da atividade. A poucos meses de se aposentar, a capitão orgulha-se da escolha feita em 1983. “Aprendi muito neste tempo como o respeito ao próximo, o companheirismo e o comprometimento com o trabalho, pois você precisa fazer valer o que fala”, ressalta a militar que também é formada em Biblioteconomia.