24 agosto 2013

25 de agosto é Dia do Soldado

 

Enquanto a cidade despertava, na manhã de sexta-feira (23/08), aos poucos conformando-se com mais um dia de batalha frente aos desafios do cotidiano, centenas de homens e mulheres dispunham-se milimetricamente ao sol em fileiras no pátio do Centro de Formação e Aperfeiçoamento da Polícia Militar do Espírito Santo, no bairro Santana, em Cariacica. Em processo de formação, os alunos-soldados e os alunos-oficiais acordaram ainda mais cedo para comemorar o Dia do Soldado, a ser festejado neste domingo, 25 de agosto.

A data, instituída em homenagem a Luís Alves de Lima e Silva – o Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro – nascido neste dia, no ano de 1803, é uma forma de reconhecer o trabalho dos militares brasileiros. No passado, a solenidade caracterizava-se também como uma festividade popular, pois era acompanhada de perto pela população, que não tinha tanta pressa e nem se avolumava nos aglomerados das cidades. Hoje, as homenagens aos militares ficam reservadas ao Dia da Independência, em 7 de setembro, e ao Dia da Proclamação da República, no dia 15 de novembro.

Solenidade – O evento reuniu o comandante-geral, coronel Edmilson dos Santos, o comandante do Centro de Formação e Aperfeiçoamento (CFA), o tenente-coronel Marcio Celante Weolffel, o secretário de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), André Garcia, o comandante do Policiamento Ostensivo Metropolitano (CPOM), coronel Carlos Henrique Pereira França, o diretor de Comunicação Social, coronel Douglas Alves Zucolotto, o comandante da Capitania dos Portos, Capitão de Fragata Marcos Cunha, o comandante da Escola de Aprendizes-Marinheiros do Espírito Santo (EAMES), Roberto Machado, entre outras autoridades militares e civis, além de lideranças associativas representantes dos militares. Quem prestigiou o evento foi o presidente da Aspomires, capitão PM Ref Nailson Pedro Tolentino.

Ontem e hoje – De intenso azul, o céu contemplava a convicção e seriedade daqueles homens e mulheres. Uma pequena faixa entre eles resumia a escolha de cada um: “servir e proteger mesmo com o risco da própria vida”. Quando a Banda Polícia Militar do Espírito Santo fez vibrar pelos cantos do pátio as primeiras notas do hino oficial da corporação capixaba e, em seguida, centenas de vozes entoaram os versos da canção do soldado destemido e valente da terra de Ortiz, era como se passado, presente e futuro se transformassem em um mesmo momento. Os valores da tradição, honra e respeito à Pátria se misturaram aos ares dos novos tempos em que a polícia precisou trocar a truculência e o distanciamento pelos princípios da aproximação e integração comunitária, da valorização da cidadania e dos direitos humanos.

Homenagem – Os rostos contidos dos alunos expressavam orgulho cívico, determinação e disciplina. Porém, os traços também guardavam diferentes histórias, medos, incertezas, esperanças e sonhos de vida que chegaram até aquele instante para encarar problemas de segurança pública, entre eles, os homicídios e o tráfico de drogas. Diante da tropa que se prepara para atuar nas ruas estava o 1º tenente José da Silva Campos, do 7º Batalhão de Polícia Militar de Cariacica, selecionado como Destaque Operacional do 1º Semestre de 2013.

A escolha se baseou em critérios de merecimento operacional. Prisões e apreensões de drogas, armamentos e munições feitas pelo tenente, marcando a elucidação de diferentes crimes, culminaram no reconhecimento do militar durante a solenidade. Ao longo de 25 anos de serviço, o tenente Campos recebeu mais de 50 elogios em sua ficha individual e conquistou o certificado de Destaque Operacional do 7º Batalhão nos anos de 1998, 2003 e 2007.

Como recompensa, desta vez, ele recebeu um novo elogio individual, uma placa metálica em reconhecimento ao trabalho e cinco dias de dispensa. Ao cumprimentar os presentes, o comandante-geral destacou o exemplo do tenente colocando-o como modelo a ser seguido pelos futuros soldados. Segundo o coronel, exemplo de quem soube usar a inteligência e a sabedoria no decorrer das atividades operacionais.

Soldado cidadão –  O comandante-geral lembrou os avanços da segurança pública com a redução do índice de homicídios e a integração e o envolvimento da sociedade nos esforços contra a criminalidade. De acordo com o coronel Edmilson, o modelo autoritário e legalista foi sendo substituído por uma polícia construída a partir de novos valores e habilidades: capacidade de mediação de conflitos, acessibilidade social, proatividade, capacidade de identificação de problemas, compromisso com a promoção social e da cidadania, em lugar do controle social, e responsabilidade com a transformação de realidades.

Investimentos – O secretário de Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia, destacou serem muitos os problemas de segurança pública no Espírito Santo. Segundo ele, as características do posto assumido pelo militar colocam-no em uma condição diferente daquela assumida pelos demais servidores estaduais. “Nem um outro servidor tem como missão a situação de comprometimento da sua própria vida. Esse é um dever nobre desempenhado com alto grau de profissionalismo”, ressalta Garcia.

Durante o seu discurso, o secretário destacou algumas ações como a oferta de 2.100 vagas para soldado combatente dentro do concurso público em andamento, a aquisição de 1.000 câmeras de videomonitoramento e a compra de equipamentos móveis dotados de OCR de leitura de placa de veículos para auxiliar na identificação de irregularidades. Ainda sob o sol e o azul, a solenidade terminou com um desfile militar da tropa de alunos ao som dos instrumentos de sopro e de percussão da banda.

Desafios – Depois de participar da cerimônia, o capitão PM Ref Nailson Pedro Tolentino lembrou do tempo em que chegou àquele mesmo lugar, no ano de 1956, para fazer o curso de soldado, após deixar o interior do estado, onde trabalhava na roça com sua família. Aos 18 anos, e sem saber ler nem escrever, o jovem havia sido dispensado pelo Exército, mas decidiu não voltar para o campo e se apresentou à Polícia Militar.

“Como eu era analfabeto, não sabia fazer conta e não sabia escrever, fui fazer um supletivo de primário e, depois, o ginásio. E a vida foi indo. Fiz vários cursos de aperfeiçoamento e cursos internos até chegar a capitão”, conta o militar que atuou tanto na área administrativa quanto na operacional, aposentando-se em 1986.

Quando alguém o pergunta sobre quais são as qualidades de um soldado na atualidade, ele responde: “Ter aptidão e vontade de ser policial. No meu tempo era mais fácil, não tinha tanta violência, se passava meses sem apreender uma pessoa com droga. Hoje as apreensões acontecem a toda hora. Pra ser um soldado, então, tem que ter aptidão, disposição, força de vontade e muita coragem”, conclui o capitão Nailson.

Fotos: Aluno-Oficial Rhanã Lacerda Fabem/Centro de Formação e Aperfeiçoamento (CFA)