5 dezembro 2013

6º BPM comemora 25 anos com homenagens e anúncio de aumento do efetivo

 

Cento e cinquenta e cinco novos policiais militares serão integrados ao efetivo do 6º Batalhão de Polícia Militar, com atuação no município da Serra, até o final do mês de dezembro. O anúncio foi apresentado na manhã de quarta-feira (04/12) pelo comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Edimilson dos Santos, durante a solenidade em comemoração ao aniversário de 25 anos da unidade.

De acordo com o comandante do batalhão, tenente-coronel Nylton Rodrigues Ribeiro Filho, o novo quadro de combatentes fortalecerá as ações da Operação Verão que será aberta no dia 27 de dezembro e prosseguirá até 06 de março em todo o litoral serrano.

Homenagens – Marcou ainda a cerimônia a entrega do Diploma Amigo do 6º Batalhão a personalidades de diferentes segmentos. Um dos agraciados foi o diretor de interior da Aspomires, coronel PM RR Adilson Silva Tolentino, que recebeu a homenagem acompanhado do presidente da associação, capitão PM Ref Nailson Pedro Tolentino. Também receberam o diploma o prefeito da Serra, Audifax Barcelos, a juíza e diretora do Fórum do município, Telmelita Guimarães Alves, a juíza da 5ª Vara Criminal da Serra, Brunella Faustini Baglio, o promotor de Justiça do município, Bruno Araújo Guimarães, e o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), João Antônio Popim.

Os Destaques Operacionais do 3º trimestre também receberam homenagens. Foram premiados os sargentos Valter Luiz Teixeira e Ozana Lucia Batista Chalito, os cabos Carlamão Vicente de Holanda e Adren Lopes, o soldado Antoniony Fantacelle Junger e o aspirante a oficial, Rodrigo Bridi Bezerra, também eleito Destaque Operacional da Unidade. Um dos fundadores do batalhão, o capitão Carlos Eduardo Costa, que logo acessará a reserva remunerada após 29 anos de dedicação ao trabalho, também foi homenageado.

Instalado em 30 de novembro de 1988, o 6º Batalhão encara o desafio de reduzir os índices de violência do município com maior taxa de homicídio do Brasil, entre as cidades com mais de 300 mil habitantes, conforme dados de outubro deste ano do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Arma de Fogo – Para reverter a situação, o comando da unidade organizou diferentes estratégias. O primeiro foco de atuação é identificar e prender os principais criminosos que atuam na região. Concomitantemente, outra estratégia é realizar operações diárias para apreender armas de fogo, que segundo estatística, são os instrumentos utilizados em 90% dos homicídios e tentativas de homicídios. “O 6º Batalhão é a unidade que mais apreende armas no estado. São 60 apreensões por mês de armamento como revólver, pistola, espingarda, dentre outros”, salienta coronel Nylton.

Áreas quentes – A criação dos Grupos de Abordagem em bairros com maior índice de crimes (homicídios, tentativas de homicídios e tráfico de drogas), as chamadas “áreas quentes”, compõe mais uma estratégia do batalhão. A ação consiste em manter em uma determinada região um grupo fixo de policiais. Estes combatentes, escolhidos com base em habilidades operacionais, passam a conhecer mais detalhadamente o cotidiano de uma comunidade, o que os possibilita identificar os elementos criminosos, as ações suspeitas e interagir com os moradores para coibir os crimes.

Hoje, o município possui 12 áreas quentes: Jardim Carapina, Carapina Grande, Central Carapina, Nova Carapina 1 e 2, Jardim Tropical, Novo Horizonte, Feu Rosa, Vila Nova de Colares, Bairro das Laranjeiras, Planalto Serrano, Vista da Serra 1 e Cidade Pomar. “Estes grupos criam um vínculo de confiança com os moradores que passam a conhecer os policiais e a repassar informações importantes para atuação da unidade no bairro”, explica o comandante. Antes da atuação no Grupo de Abordagem, a maior parte dos policiais participou de ações táticas do Grupo de Apoio Operacional, preparado para agir em situações mais ostensivas.

Expediente Operacional, Central de Escalas e Patrulha da Comunidade – Uma ou duas vezes por semana, a unidade suspende as atividades administrativas para deslocar o efetivo do serviço mais burocrático para as ações operacionais. “De soldado a coronel, nestes dias, todos os policiais vão para as ruas para fortalecer o policiamento”, conta o coronel Nylton. As escalas extras aos quais os militares têm direito uma vez por semana são utilizadas pelo batalhão como ferramenta de gestão. A unidade cria um roteiro de escala para otimizar o efetivo de modo a garantir sempre o policiamento no dia, horário e no lugar certo. Já os locais de maior movimento comercial recebem a Patrulha da Comunidade. São beneficiados pelo reforço as áreas de comércio de Bairro de Fátima, Carapina, André Carloni, Parque Residencial Laranjeiras, Jacaraípe e Serra-sede.

Focos nas motos – O coronel Nylton conta que o criminoso utiliza três instrumentos para cometer o crime: a arma de fogo, usada na maior parte dos homicídios; o telefone celular, essencial para comunicação entre os bandidos, além da moto, veículo considerado rápido e ideal para deslocamento e para despistar a polícia, e cujo equipamento de segurança, o capacete, dificulta a identificação da pessoa.

Diante disto, a unidade encaminhou para treinamento no Batalhão de Trânsito um grupo de 100 policiais. Estes militares passaram a atuar em pontos de bloqueio, nas entradas e saídas da cidade, para identificar a utilização irregular de motos. “Por mês, o batalhão apreende 200 motos com restrição administrativa ou que foram roubadas ou furtadas. Os policiais são preparados para identificar estas irregularidades e tomar as providências necessárias, retirando de circulação as motos utilizadas pelos criminosos”, explica o tenente-coronel.

Participação – “As estratégias contribuíram para a redução da violência na área do batalhão em 10%, no ano passado, e deverá diminuir em 5%, em 2013. O grande resultado disto é que freamos a violência e estamos partindo para uma redução cada vez maior”, salienta o comandante. No entanto, na avaliação do coronel, a diminuição da violência não depende apenas da polícia. Com 25 anos de atividades na corporação, o policial assumiu há dois anos o comando do 6º Batalhão. Antes, atuou por seis anos como diretor do Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes).

Para o coronel, que chegou à Polícia Militar do Espírito Santo aos 18 anos de idade, dois fatores influenciam na manutenção da criminalidade: a desestrutura familiar e a impunidade. “Muitas famílias não têm conseguido passar o legado para seus filhos que, sem assistência, serão influenciados pelo tráfico”, destaca o comandante. Em relação à impunidade, o coronel considera a legislação frouxa, pois impede que muitos criminosos sejam mantidos na prisão, estimulando, segundo ele, o indivíduo a executar crimes novos e de maior gravidade.

Neste contexto, além da estruturação das famílias e do combate à impunidade, o coronel acrescenta ainda a importância da participação dos moradores na prevenção e no controle da criminalidade. “O instrumento mais valioso para a atividade policial ser eficiente é a informação. A população pode participar produzindo a informação através do disque denúncia 181. A segurança é dever do Estado, mas é também uma responsabilidade de todos”, conclui.

Fotos: Diretoria de Comunicação Social da PMES